Núcleo Urbano – Centro, Presépio e Baixão (O princípio da expansão)

Por Delson Luis Ribeiro e Luiz Miguel da Silva

Ao que tudo indicava, o povoamento teve início no bairro do Baixão, sentido Centro. Existiam grandes propriedades na parte baixa, fazendas com grandes currais e pastagens. O transporte animal era o único.

Dessas propriedades, podem ser citadas o “Chalé”, onde hoje está instalada a Marmoraria Padre Victor, o hotel do Senhor João da Mata (casarão demolido do Cel. Barreira), a casa do senhor João Pereira, também demolida e a casa do senhor Zico Ferreira (hoje, a entrada da Praça de Esportes), considerada ter sido a mais antiga de cidade. Ao lado dela, na esquina, ficava a capela Nossa Senhora da Piedade.

Na rua Coronel Joaquim José de Araújo ficavam o Fórum, a Cadeia, os Correios, o Hotel e a Casa Paroquial.
A Prefeitura e o comércio ficavam instalados na rua Nossa Senhora do Carmo. Mais acima, fora do núcleo urbano, havia uma outra propriedade rural maior – Capitão Gomes, próxima à Vila Vicentina.

A estrada de boiadeiro vinha do Campo do Meio, adentrando a Avenida Nossa Senhora do Carmo, Avenida São Vicente de Paula até onde é hoje a Rodoviária, depois seguia na direção do bairro Cidade Nova, levando até a Escola “Zita Caiafa” no bairro Martins, por meio de uma “corredoura” (passagem para gado cercada dos dois lados).

A antiga igreja ficava no lugar da atual e uma situação interessante se deve ao fato de que não era para a capela anterior ser demolida, e sim, reformada. Atrás dela era um cemitério que foi desativado durante os anos 1930 (hoje a Praça Dr. Alfredo Barbalho e a E. E. “Prof. Eduardo D. F. Dias”).

Ao que tudo indica, no lugar desse cemitério era para ser construída a Matriz atual, mas um padre que substituiu o padre Teófilo Saez (quando viajou à Espanha), cedeu o terreno para o Estado fazer o primeiro grupo escolar de Campos Gerais, o “Carlos Góis”, já mencionado aqui no Documentário.

A construção da Matriz durou 11 anos, período considerado longo, devido à falta de recursos.

Para compensar a escassez de dinheiro, eram feitas festas religiosas, “quermesses”. Montavam-se de um lado e de outro da Praça Josino de Brito, duas grandes barracas. A da direita era liderada por Dona Rosa do Prado Cavalcante (esposa do Dr. Alfredo) e a da esquerda, por Dona Zita Caiafa.

A rivalidade entre os grupos era muito grande, porque ali estavam indiretamente presentes os dois partidos políticos da cidade: PSD e UDN.

As barracas mobilizavam todo o município e atraiam a presença de visitantes das cidades vizinhas. Toda a renda era revertida em prol da construção da igreja.

Com a conclusão da igreja, as quermesses passaram a ser realizadas em favor da construção do Hospital e do Colégio Normal.

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