Por Delson Luis Ribeiro
Quando vemos o fluxo do trânsito no Município não imaginamos que durante as primeiras décadas do século passado era possível contar a frota usando os dedos de uma única mão. Essa escassa quantidade de veículos era composta por caminhões e ônibus (jardineira).
Havia três acessos principais à cidade com porteiras e mata-burros. A primeira entrada no bairro do Baixão, a segunda advinha do fluxo de Campo do Meio e a última com um mata-burro instalado onde é hoje o Auto Posto Shell (antigo Posto do Tavinho).
O mais interessante, o fato desses acessos serem fiscalizados para que os carros de boi não “cantassem”, evitando incomodar os moradores da área urbana, em especial, os enfermos e os idosos. Para evitar o forte ruído, os carreiros passavam sabão preto nos eixos das rodas. Aqueles que infringissem a norma eram multados no valor de 20.000 réis.
O tempo voou e com ele mais um episódio da nossa história foi se distanciando do presente, tal como é expressado na eternizada canção de Lô Borges (Clube da Esquina ll)… “Porque se chamava moço, também se chamava estrada, viagem de ventania”.
Essa viagem tem uma grande personagem, a tecnologia dos transportes, responsável por cobrir com asfalto as antigas estradas de terra. Hoje, escoam os silenciosos veículos de passeio e os gigantescos caminhões bitrens. O fiscal na figura humana foi trocado pelos radares e o barulho dos carros de boi substituído pelas sirenes das ambulâncias, que agora salvam.