Por Delson Luis Ribeiro
Relatos de pessoas que puderam conhecer os primeiros hotéis e pensões de Campos Gerais, trazem revelações significativas sobre as antigas hospedagens.
De acordo com o advogado Gilberto Gabriel Lesser Pereira, na conhecida mansão do coronel Joaquim José de Araújo (Barreira), hoje demolida, situada na rua do mesmo nome, funcionou o Hotel Araújo, luxuoso para os padrões da época. O belíssimo casarão era onde se hospedavam as pessoas mais abastadas da época, dentre as quais autoridades em visita ao município, negociadores de gado em viagem e os fazendeiros da região, quando vinham à cidade para fazer compras. Políticos locais também usavam o espaço para reuniões com partidários e aliados.

O hotel possuía, em anexo, uma excelente estrutura para abrigar cavalos, carros de bois e charretes dos fazendeiros.



Já aquelas pessoas com menor poder aquisitivo, como os caixeiros-viajantes, se hospedavam na pensão da dona Felisbina, tia do coronel Barreira, localizada onde é hoje a casa da família Cambraia, na rua Nossa Senhora do Carmo. Os caixeiros abasteciam o comércio local com artigos como peças de tecido, roupas, armarinhos e materiais para pesca, dentre outros.

De acordo com o professor Luiz Miguel da Silva, antes desses dois estabelecimentos existiu, desde o início do século XX, o Hotel Prósperi, de propriedade de Vicente Prósperi, instalado ao lado da atual Igreja Matriz, onde hoje é o edifício Pai Herói, da família do comerciante Vicente Pichara. O casarão onde funcionou esse hotel, e que depois abrigou outras casas comerciais, acabou destruído por um incêndio ocorrido entre o final dos anos 1970 e começo dos 1980.

A respeito do estilo arquitetônico do Hotel Araújo, o arquiteto e urbanista Gláucio Claret Ribeiro afirma que a obra foi construída em estilo neoclássico, evidenciando a principal diferença entre o estilo clássico e o neoclássico. “O primeiro nos remete à Antiguidade, à época de Roma antiga, por exemplo. Já o Neoclássico é o título dado quando a construção segue as linhas clássicas, mas em tempos mais recentes, como é o caso do casarão do coronel Joaquim José de Araújo, que é do início do século XX”, disse Ribeiro.
Para Joaci Pereira Furtado, historiador e grande colaborador do Documentário Campos Gerais, “esta maravilha, infelizmente demolida, possuía elementos que remetem a antigos palácios renascentistas. As paredes do alpendre (ou varanda) eram decoradas com afrescos, um luxo e tanto. Conheci o interior da casa antes de ela ser delapidada, quando o ‘seu’ Joaquim, filho do construtor da mansão, ainda era vivo, por volta de 1977. Havia peças muito preciosas no casarão: móveis austríacos e lustres de cristal na solene sala de visitas. Na sala de jantar, uma imensa mesa em madeira. Os lavabos, outro luxo, eram de louça decorada e as maçanetas eram de vidro (ou talvez cristal) azul. Anos mais tarde, já adulto, pouco antes da demolição, visitei seus porões com o arquiteto francês Augustin de Tugny, que ficou impressionado com a qualidade da construção”.





Nenhumas das construções mencionadas existem mais, mas estão eternizadas na história do município, pelas vias dos fatos e dos personagens, anônimos ou não, que contribuíram fortemente para o presente e o futuro que está por vir.

