Petróleo
(Imprensa Oficial Minas Gerais – Belo Horizonte 1926)
Texto transcrito do original sem alterações na grafia da época.
O dr Joaquim de Campos Michaelis escreveu sobre o petróleo de Campos Geraes o seguinte:
As pesquizas do município de Campos Geraes e no de Alfenas, são muito extensas: de Barreiras a Fortaleza, passando-se por Campos Geraes, e da linha de Barreiras Campos Gerais – Fortaleza, passando-se por Águas Verdes até a fazenda de Atalaia, onde segundo testemunho de pessoas fidedignas, em uma mina de agua de grande vasão apparecem periodicamente cheiro e também gosto de kerozene.
De ponto cuidadosamente escolhido em Campos Geraes deve-se partir, seguindo rumo Alfenas, afim de ver se melhores vestigios de kerozene se encontram neste ultimo municipio, além do barro ceramico preto, que é encontrado tanto num como noutro municipio.
As argilas são, como sabem os que estudam depositos petroliferos, communs nas regiões em que ellas existem.
Verificando, pois a existencia da argila negra, tanto num como noutro dos dois municipios acima mencionados parece-me que não se deve olhar com indifferença para os grandes depositos desta substancia, que é alli sempre a mesma por toda a parte.
A argila da zona negra em virtude de substancia organica que desapparece quando é submetida a alta temperatura.
Seguindo-se de Atalaya para Porto Ponte ou Itacy, passa-se por um terreno um pouco mais elevado, em que não se vêm os indicios petroliferos encontrados mais para cima, nas margens do rio Sapucahy. O mesmo facto se nota do meio, mais ou menos, do caminho que liga Campos Geraes a Campo do Meio.
Nos arredores de Campos Geraes ha duas pequenas fazendas, onde o relevo do solo e os indices petroliferos convidam ao estudo do petroleo com actividade muito cuidadosa.
Estas duas pequenas fazendas se chamam Tejuco Preto e Capão de Fructa, logadores estes em que estive, em companhia do sr. Pharmaceutico Jorge de Paulo Meimberg, presidente da Camara de Campos Geraes.
Conclusão: Depois das cuidadosas observações que fiz, tanto no municipio de Campos Geraes como no de Alfenas, não tenho o menor receio de aconselhar ao governo do Estado a compra de uma sonda capaz de attingir uma profundidade de 500 a 600 metros, sendo ella do typo conhecido sob a denominação de sonda de geologo. Estas sondas trazem á superficie testemunhas pulverizadas, não dando, por isto mesmo, idéa perfeita da constituição do terreno.
São muitos os logares que, em Campos Geraes, e Alfenas, precisam ser sondados.
Si o governo do Estado fizer a compra duma sonda nas condições que indico, poderá, sem quebra de dignidade, cobrar de cada proprietario uma taxa modica que, em pouco tempo, amortizará o capital empregado na compra do apparelho.
Alem disto, com semelhante apetrecho, as concessões que foram pedidas para a exploração de pedras coradas, de puro ou de diamantes, poderão ser dadas com perfeito conhecimento de sens valores, não ás cegas, como actualmente succede. As diversas manifestações de depositos varios encontrados em Minas não podem dormir eternamnete o somno criminoso da indifferença. Assim sendo, aconselho estudos cuidadosos e definidos na mistura de graphite e coke natural de Berreiras, municipio de Itamanandyba; nas areias platiferas de Conseição do Serro, e nos abundantes depositos de cascalho diamantifero e outros lugares do Brasil.