Por Delson Luís Ribeiro
Quem frequentou a “Loja do Negrinho” no seu auge, sabe muito bem onde deveria recorrer para comprar os presentes de Natal da família.
O senhor Geraldo, pouco conhecido pelo seu nome, mas conhecidíssimo pelo apelido “Negrinho”, dono de uma personalidade mais introvertida, fazia companhia no balcão para a esposa, “Tonha” e os filhos. Ela mais expansiva, cativava a “freguesia” com a simpatia e a solicitude de sempre. Ambos naturalmente comerciantes.
Por falar em filhos, essa loja foi a “escola” para os empreendimentos do “Geraldinho”, aquele mesmo “da Loja”, “da bicicleta elétrica”.
A propósito, a Loja do Geraldinho teve suas primeiras instalações, onde funciona atualmente o Salão de Beleza da sua irmã, a “Dani”. O sucesso com as vendas de peças para bicicletas o fez ampliar e transferir a loja para um barracão mais amplo, situado onde hoje funciona a “Loja de Calçados do Belchior”.
Voltando à Casa Reis, os balcões lotados de utilidades domésticas e de artigos de decoração e as prateleiras repletas de brinquedos, calçados e peças de tecidos eram um convite irresistível àqueles que, às vésperas da principal festa cristã, procuravam a loja para adquirir os mimos dos familiares.
Trago uma passagem marcante da minha infância, quando influenciado pelo meu irmão mais velho, o Flávio. Ele mesmo deu a mim a alegria de retirar um meião do time do Cruzeiro na “Loja do Negrinho”. Eu tinha apenas seis anos. Sai saltitante e chegando à loja, disse ao próprio Negrinho que, meu irmão havia me presenteado com um meião de jogador daquele time. O experiente comerciante, pelo jeito, confundiu-se levando até o balcão, uma peça do meião do time do Grêmio. As cores eram parecidas com as do uniforme do Cruzeiro, com a diferença de umas faixas adicionais em preto.
Não me esqueço da gafe na escolha do presente, mas em compensação, ficaram na memória as belas lembranças da tradicional “Loja do Negrinho”, a Casa Reis, a também “Loja da Tonha”.
Saudades desse tempo.
