A vida de Joaquim Ribeiro de Araújo – Senhor Quinzinho

Por Delson Luis Ribeiro e Jandir Ribeiro

Joaquim Ribeiro de Araújo, o senhor Quinzinho – Mr. Fifteen, nasceu no dia 12 de outubro de 1895 na Fazenda da Grama no município de Campos Gerais. Filho de João Francisco Ribeiro e Teodora Maria de Araújo.

Sua vida escolar teve início em uma escola rural da região onde nasceu. Para dar sequência aos estudos teve que se transferir para a cidade de Lavras, onde fez as séries ginasiais (hoje, 5º ao 9º ano) e os anos preparatórios para o ingresso na faculdade, atualmente equivalente ao ensino médio.

A vida estudantil foi marcada pelas idas e vindas, já que todo início de março viajava a cavalo para Lavras, acompanhado de um camarada de confiança da família. No trajeto contava também com uma mula para o transporte dos seus pertences. No final do mês de junho, o camarada ia buscá-lo para passar as férias com a família.

O retorno a Campos Gerais a cada quatro meses fazia a saudade dos pais apertar cada vez mais.

Em 1912 iniciou o curso de Odontologia na Faculdade do Grambery em Juiz de Fora. Todos os seus professores eram ingleses, fato que contribuiu fortemente para o domínio da língua estrangeira. Formou-se no ano de 1917 aos 22 anos. Nessa mesma cidade conheceu a doutrina espírita, vindo mais tarde, fundar o primeiro centro espírita de Campos Gerais, juntamente com outros conterrâneos.

Álbum de formatura em Odontologia do meu avô Joaquim Ribeiro de Araújo (Quinzinho). Na foto ele é o segundo da segunda fileira:

Em 1918 casou-se com Maria Carolina Vieira, com quem teve dez filhos. Destes, cinco homens e cinco mulheres: Jair, Jatir, Jacy, Jandir, Jamir, Benita, Barenice, Benice, Belange e Bernadete.

Trabalhou alguns anos como dentista, mas depois de um convite feito pelo cunhado, Joaquim José de Araújo (Sr. Barreira) para trabalhar na Prefeitura de Campos Gerais, ingressou no serviço público. Sr. Barreira era o prefeito na época e possuía grande admiração e estima por Quinzinho.

Exerceu o cargo de chefe na Fazenda – Cobrança de Impostos por trinta anos. Tempos difíceis com pouca receita, já que os impostos eram provenientes somente das fontes predial, territorial e comercial. Não havia o ICM (Imposto sobre Circulação de Mercadorias).

Juntamente com Dona Marica, criou os filhos com o salário da prefeitura e a “suada” renda obtida com as costuras feitas pela esposa, especialmente com a confecção de camisas em grande estilo.

Em 1950 saiu da prefeitura e voltou a trabalhar como dentista e a lecionar Inglês e Francês. Foi professor entre os anos 1940 e 1965 na Escola “Nossa Senhora do Carmo”.

Um detalhe curioso está no fato de que apesar da disponibilidade do ônibus do Sr. Alberto para o traslado dos professores e dos alunos, Quinzinho preferia ir à escola a pé, com o intuito de praticar caminhada.

Adorava fazer trocadilhos com os nomes dos filhos… “É hora de Jair”, “Jatir falei que Jacy foi”, “Jandir disse Jamir ando”.

Sr. Quinzinho tinha seus hobbys, dentre os quais, o de manter em casa uma farmácia homeopática para doação de remédios às pessoas carentes da comunidade. Também praticava o tradicional jogo de malhas da época, jogava bilhar no salão da Panificadora Progresso do Sr. Alcides de Carvalho, onde se reunia com os amigos Sr. Geraldo Jorge e o Sr. Ítalo Guizardi (Ferreiro). Era torcedor do Botafogo e adorava ouvir novelas, notícias e os jogos de futebol na Estação de Rádio Nacional.

Aos sábados costumava ir ao sítio de sua irmã Dona Inocência, viúva do Sr. Patrocínio Araújo. Ia e voltava a pé, algumas vezes de jardineira (ônibus do Sr. Alberto).

Era grande estudioso e conhecedor do idioma Esperanto, língua criada para se tornar o idioma universal.

Seu Quinzinho foi professor de inglês na Escola Técnica de Comércio Professor Soares Leão, cuja diretora era a professora Geny Morais Rabelo, esposa do farmacêutico Antonio Ubirajara Rabelo.

No começo de 1966 passou a sofrer do coração, sentindo cansaço, pressão alta, dor no peito e suor intenso. Teve três crises de angina e na terceira veio a falecer no dia 15 de novembro de 1968, deixando muitas saudades.

Em 31 de dezembro de 1930, o Professor Eduardo Daniel Ferreira Dias a convite do prof. Joaquim José de Oliveira, vulgo Grota, chegou em Campos Gerais com a missão de criar o ginasial. Em 1931, foi fundada a então, Escola Normal Equiparada Nossa Senhora do Carmo. Era o início do primeiro Colégio em Campos Gerais. Para o Colégio trouxe equipamentos modernos para a época, como um Câmara de cinema de Paris, como instrumentos para aulas de física, Química e Botânica. Eram 56 carteiras envernizadas em forma de bancada, 8 salas de aula, 8 mesas para o professores, 11 mapas cartográficos e outros.

A foto retrata de 22/04/1930 com Joaquim José de Araújo (sua casa), dr. Celio, meu avô Joaquim Ribeiro de Araujo (Quinzinho), Manoel Francisco Ribeiro. Os demais não foram identificados.

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