Por Delson Luis Ribeiro
Conheça a história do homem que dedicou seu trabalho ao desenvolvimento de Campos Gerais. Vinda da companhia energética, construção de escolas e estradas foram algumas das ações da sua administração.

Américo Onofre Rodrigues nasceu na cidade vizinha de Paraguaçu no dia 04 de março de 1892. Casou-se com Dona Filomena Fonseca Rodrigues em 29 de maio de 1913, com quem teve 21 filhos. Após a viuvez casou novamente com Teresa de Lima Rodrigues, com quem teve mais um filho. Foi o sétimo prefeito de Campos Gerais entre os anos de 1959 e 1962.
Com os irmãos Olinto e Orcílio Rodrigues mudaram de Paraguaçu para Campos Gerais no início do século XX por volta de 1910, vindo residir na Fazenda do Engenho, conhecida região da Mata Santa Catarina. Seu outro irmão José Bernardino foi aportar em Guapé e Nicanor Rodrigues em Campo do Meio.
Há relatos de que a Fazenda do Engenho foi uma das pioneiras no cultivo de café em Campos Gerais, junto de três imponentes casarões construídos num intervalo médio de quatro anos entre um e outro (Década de 1910), constituindo hoje um verdadeiro patrimônio histórico e arquitetônico do Município.
A casa que pertenceu a Américo Rodrigues, pertenceu também ao seu filho Reinaldo Rodrigues, grande líder que exerceu importantíssimo papel na cafeicultura de Campos Gerais, contribuindo enormemente para a expansão da COOPERCAM (Cooperativa dos Cafeicultores de Campos Gerais e Campo do Meio).
Vale rememorar também que, o espírito empreendedor e visionário de Reinaldo contribuiu fortemente para a fundação da CREDCAM (Cooperativa de Crédito de Livre Admissão de Campos Gerais e Campo do Meio).
Durante visita ao local, a equipe do Documentário Campos Gerais pode perceber o excelente estado de conservação e o quanto as antigas propriedades estão bem cuidadas, mesmo não pertencendo mais todas elas à família Rodrigues, com exceção da Fazenda de Reinaldo Rodrigues, herdada e administrada atualmente pelos filhos e a de Orcílio Rodrigues que pertence à Jaqueline Maria de Figueiredo Rodrigues, viúva de Dílson Vilhena Rodrigues, neto de Américo.



O Documentário teve acesso a uma homenagem feita a Américo Rodrigues no ano de 2009 pelo Jornal Construindo a Unidade, com autoria de Maria Auxiliadora Ferreira de Souza (Dola), conforme transcrita a seguir.
“Na Memória e no Tempo
Sempre movido pelo desejo de servir com honestidade, honradez e despojamento de vaidade era chamado carinhosamente pela população de Coronel Américo.
Foi eleito prefeito pelo PSD, de 1959 e 1962, período em que teve que enfrentar as dificuldades financeiras peculiares: administração de todo pequeno município da época, quando ainda não havia o Fundo de Participação dos Municípios, e em que os prefeitos tinham que “se virar” com os poucos recursos advindos do próprio povo. Reza a nossa tradição que muitas vezes, para não deixar os funcionários públicos sem receber seus salários, fazia ele Próprio, empréstimos de seus recursos aos cofres públicos, sem cobrar juros e sem ônus para o Município. O mesmo para os munícipes que queriam o calçamento de sua rua e tinham dificuldades para pagá-lo.
Temos em mãos um panfleto do final do seu mandato, dirigido ao povo, datado de janeiro de 1963, em que o Prefeito se despede, agradece e presta contas de sua administração. Com uma linguagem simples e clara, ele cita suas realizações: rede de esgoto, rede pluvial, criação de escolas rurais, construção de prédios para escolas, criação do Grupo Escobar João Barbalho, construção de estradas rurais e municipais, em parceria com Fumas e outros atos menores.
Podemos, porém, afirmar que o fato mais marcante de sua administração foi a instalação da energia elétrica via CEMIG, história que merece ser detalhada e conhecida por todos. Campos Gerais tinha, anteriormente, energia elétrica fornecida por uma antiga usina construída no Ribeirão das Araras, entre Córrego do Ouro e Campos Gerais, de propriedade da família do Cel. Joaquim José de Araújo, popularmente conhecido como “Barreira”. Essa usina, com o correr do tempo e o aumento da população, tornou-se deficitária e incapaz de fornecer a energia necessária para a iluminação pública e para as residências. Todos reclamavam da luz, dizendo que as lâmpadas acesas mais pareciam pequenos tomates dependurados e a energia era insuficiente para mover qualquer aparelho elétrico, por simples que fosse.
No governo do Prefeito Américo, foram feitos contatos com a CEMIG para o fornecimento de sua energia, mas os proprietários da Usina possuíam concessão ainda em vigor, o que empatava o atendimento da proposta. O prefeito Sr. Américo presidiu uma comissão, composta por Mons. Teófilo Saez, Dr. Albedo Barbalho Cavalcanti, o Vereador José Rabello e o Deputado Manoel de Almeida e foram até o Presidente da República, Dr. Juscelino Kubitscheck de Oliveira, que acolheu o pedido e assinou um documento decretando a caducidade da antiga concessão, possibilitando assim o contrato com a CEMIG. O ato foi considerado tão importante que sua notícia foi divulgada naquela noite polo famoso “Repórter Esso”, noticiário de audição em todo o território nacional e também publicada pelo jornal mineiro “O Diário”, cujo recorte tivemos em mãos.
Vencido esse empecilho, foi assinado o termo de compromisso, mediante a subscrição dez milhões de ações, em pagamento parcelado. Surfe, porém, nova dificuldade: conseguir o recurso necessário. O Município sozinho não tinha como resolver esse impasse, contando, com o apoio de Boa Esperança e Campo do Meio.
Foi constituída uma comissão formada pelo Prefeito, Mons. Teófilo, Dr. Alfredo Barbalho e Dr. Geraldo Andrade, que procuravam todos os munícipes para comprarem ações, mas os recursos eram insuficientes. A Comissão acompanhada pelo Deputado Manoel de Almeida, consegue um empréstimo com o Governo Estadual, Dr. Bias Fortes, no valor de três milhões de cruzeiros e, posteriormente, a parceria de Fumas, com a quantia de mais três milhões de cruzeiros, a serem transformados em ações. A última parcela foi paga com as subscrições da população e, segundo declara o Prefeito em seu panfleto de prestação de contas, este “subscreveu” 454 ações da CEMIG e emprestou dinheiro a vários cidadãos, que na ocasião não podiam adquiri-las, totalizando a importância de um milhão e setecentos mil cruzeiros.
Ao serem iniciadas as obras de instalação e implantação da energia, Sr. Américo foi, muito meritoriamente, homenageado com a elevação do primeiro poste diante de sua residência, num evento que contou com a presença de autoridades, familiares, amigos e o povo em geral.
Finalmente, após mais de um ano de trabalho de instalação de postes, de fiação e todos os preparativos necessários, em 16 de julho de 1960 Campos Gerais pode finalmente ter uma iluminação digna de seus moradores e que lhes possibilitasse os benefícios do progresso e crescimento.
Por isso que relatamos e por muito mais que desconhecemos, Sr. Américo foi um homem cujo nome era pronunciado com respeito e admiração por todos os seus munícipes, independentemente de cor partidária e classe social. Queremos levar um abraço a seus familiares, do 1º e 2º casamentos e dizer que foram privilegiados por terem como chefe de família e pai uma pessoa do quilate do Sr. Américo Onofre Rodrigues.
Sr. Américo faleceu em 12 de dezembro de 1972. Agora na Casa do Pai, que ele receba de nós a merecida homenagem de gratidão. Em tempos de tanto descrédito em relação à classe política, é gratificante saber que sempre é possível a existência de homens públicos que pensem realmente no bem-comum, colocando a honestidade como valor e ser conservado e enfrentando com fé, força e coragem as dificuldades que a vida pública oferece. Que o exemplo do Prefeito Américo Rodrigues incentive nossos políticos e remove em nós, cidadãos, a busca desses valores.”







