Por Delson Luís Ribeiro
Há alguns dias relembramos um pouquinho da bela história da Casa Reis e seus proprietários. Essa narrativa me fez recordar de um fato engraçado ocorrido com uma outra empresa de Campos Gerais, mais especificamente, com o saudoso farmacêutico e advogado, senhor Geraldo Abdalla em sua farmácia. O engraçado caso já foi por inúmeras vezes contado pelos próprios funcionários que trabalharam naquele estabelecimento no início da década de 1980.
O querido Geraldo Nasser Abadalla nos deixou há pouco tempo, deixando um legado de homem proativo e empreendedor.
Dono da Farmácia São Geraldo, “tradicionalíssima” na cidade por mais de 50 anos, era forte nos segmentos de perfumaria e de produtos veterinários durante as décadas de 1970, 1980 e 1990.

Além da farmácia, Geraldo administrava sua loja de calçados, uma banca de revistas, sua fazenda e uma reprografia juntas.
Atleticano fanático pôde ver as gloriosas conquistas do Galo nos últimos anos, paixão plantada no coração dos seus três filhos, Vanessa, Júnior e Alexandre. Quem não se lembra da placa exposta na porta da farmácia com os dizeres “Respeita o Galo”?
Sobre o episódio pitoresco, vamos lá…
Numa tarde de sábado, a pedido da sua amada esposa, Dona Mariza, solicitou que um dos seus colaboradores fosse até a quintandeira Dona Guiomar e trouxesse biscoitinhos secos para integrar a farturenta mesa dos cafés daquele fim de semana. Vamos aqui chamar o funcionário pelo nome fictício de “Aderbal”.
Geraldo entregou a Aderbal uma lata daquelas de manteiga de 18 kg, pedindo a ele que fosse até a casa da “Guiomar” e solicitasse que ela enchesse a tal lata com biscoitinhos. Geraldo ainda deu referências a ele sobre o local, indicando que a casa da Guiomar ficava em frente ao Posto de Combustíveis do Tavinho na Avenida Getúlio Vargas.
Aderbal era muito distraído e não prestou atenção nas orientações do patrão. Em vez de “Guiomar”, entendeu “Mãe do Omar”. Ali nascia o equívoco, já que Dona Zica, “mãe do Omar” possuía uma lanchonete ao lado da casa da Guiomar, e coincidentemente, bem em frente ao referido posto.
Aderbal adentrou o estabelecimento assoviando, “dando de cara” com a Dona Zica, a mãe do Omar.
Disse a ela que estava ali para pegar “umas rosquinhas ou uns salgados”, mas não se lembrava mais com exatidão, qual seria o produto.
Dona Zica disse a Aderbal que Geraldo Abdalla era freguês fiel dos seus pastéis. Afirmação suficiente para Aderbal compreender que aquela senhora deveria fritar os tais pastéis até encher a lata.
Assim dona Zica o fez, atendendo o pedido do displicente rapaz. Depois de quase duas horas, a “missão” havia sido cumprida.
Geraldo estava inquieto com a demora do funcionário, até que Aderbal retorna à farmácia. O farmacêutico quase que deitado na sua pomposa cadeira com os pés apoiados na mesa, perguntou a ele, o porquê da demora, estendendo a mão até a lata, na expectativa de degustar alguns biscoitinhos, mas o que tirou de dentro do espaçoso recipiente foram dois pastéis, ainda quentinhos.
A reação…
– O que é isso Aderbal?
– Uai, o senhor não pediu para eu buscar quitanda?
– Pedi, mas o que você entendeu?
– Fiz o que o senhor pediu. Fui até a casa da mãe do Omar e chegando lá, não me lembrava do nome da sua encomenda, mas a senhora que me atendeu, disse que o senhor gostava muito dos pastéis que ela faz. Então mandei caprichar no pedido para o senhor.
Haja apetite e gente para tantos pastéis!
Mesmo diante desse episódio, Aderbal não foi despedido, tamanho coração do senhor Geraldo.
Uma coisa foi certa. Nunca mais Aderbal foi solicitado a cumprir esse tipo de incumbência na Farmácia São Geraldo.