Por Delson Luis Ribeiro
Registramos recentemente um fato envolvendo a farmácia do senhor Geraldo Abdalla. A publicação recebeu muitos comentários, homenageando carinhosamente a memória do saudoso farmacêutico.
Quem conviveu com Geraldo, sabe que ele era um exímio vendedor. Não perdia uma venda por nada.
O fato a seguir teve também como protagonista o conterrâneo e engenheiro de minas, Ednaldo Reis, atualmente residente na cidade de Cláudio MG.
Vamos voltar aos meados dos anos 1970.
Hoje ir a um dentista continua sendo para muitos tarefa traumatizante. Porque não dizer “aterrorizante”? Imagine naquela época, quando os consultórios odontológicos eram mais limitados, tecnologias muito inferiores às de hoje e procedimentos mais invasivos.
Aos seis anos de idade, Ednaldo já havia frequentado várias vezes a cadeira de dentista. O cheiro típico de gabinete dentário e o barulho do motorzinho levavam-no aos piores dos mundos.
Sua mãe, Dona Tonha sabia como ninguém o tamanho do esforço necessário para entrar com o garoto no Gabinete do Dr. Zezinho Rodrigues. Em uma dessas consultas, ao se aproximar do gabinete com o “arisco rebento”, teve um daqueles insights providenciais. Aproveitou que passava em frente à Farmácia São Geraldo e lançou de uma “negociação” com o menino, propondo a ele, caso se comportasse bem no dentista, lhe daria um brinquedo daquela farmácia.
Ednaldo concordou de imediato e Tonha buscando provar que a promessa seria cumprida, entrou com ele no estabelecimento, perguntando ao senhor Geraldo se ele tinha algum brinquedo para presentear o garoto.
Geraldo não comercializava aquele tipo de produto, mas como não costumava perder vendas, foi até sua seção de perfumaria e sacou de um pote plástico de talco em formato de ursinho. A embalagem era toda colorida e muito atraente aos olhos das crianças.

Antes que a mãe perguntasse, o menino já manifestou querer se apossar daquele “brinquedo”, que na realidade “não era bem um brinquedo”, e sim um “pote de talco infantil”.
Então, Dona Tonha ratificou que daria aquele “ursinho” para ele no retorno do dentista, conforme combinado antes.
O garoto aceitou e “não deu outra”, nenhum choro durante a consulta.
Ao retornar à farmácia, o produto já estava envolto em um belo embrulho de presente. O menino o agarrou e voltou “contentíssimo” para casa, onde, a primeira reação foi jogar fora todo o talco, para em seguida, lavar a embalagem.
Aquela vasilha de plástico passou a ser sua companhia de todas as noites. Não dormia sem ela. Rotina que durou anos.
O que podemos extrair desse episódio?
O reconhecimento de que o senhor Geraldo Abdalla, mesmo naquela época, já dominava o que os livros de administração e marketing apresentam sobre os princípios de vendas. No caso desse curioso fato, Geraldo atendeu inteligentemente à NECESSIDADE da MÃE e ao DESEJO do FILHO.
Saudades desse grande amigo e exímio comerciante!