Por Delson Luis Ribeiro
Seria hoje o cenário urbano central de nossa cidade diferente do que temos? Nosso cartão postal seria mais atrativo?
É difícil alguém que conhece Campos Gerais não se recordar dela, sem vir à memória a imponente imagem da Igreja Matriz Nossa Senhora do Carmo. O templo construído durante a década de 1940 em estilo arquitetônico neogótico possui nave clássica (em forma de cruz, em cujo centro há uma cúpula), colunas gregas com capitel coríntio, vitrais coloridos que remetem à tradição gótica, presente também na torre e nos agulhões que ladeiam a cobertura do templo.
Um fato curioso ocorreu antes da elevação das paredes dessa igreja, no ano de 1936. Monsenhor Teófilo Saez (1895-1985), na época ainda padre, havia planejado construir o novo prédio no local onde ficam hoje a Escola Estadual Professor Eduardo Daniel Ferreira Dias e a Praça Alfredo Barbalho Cavalcanti. Contudo, o sacerdote teve que fazer uma viagem à Espanha para participar de um congresso eucarístico. Padre Luiz de Almeida assumiu a direção da paróquia.
Nesse período, o padre substituto recebeu uma proposta do governo estadual, interessado na área onde seria construída a nova igreja. O padre não recusou a oferta e acabou vendendo o terreno para o Estado, que veio a construir o Grupo Escolar Carlos Góis, alguns anos mais tarde.
Vale evidenciar que a maioria dos fiéis não era favorável à construção da nova igreja, e menos ainda à demolição da igreja então existente.
De acordo com o prof. Luiz Miguel, ao retornar da Espanha, Monsenhor Teófilo teria ficado muito chateado com a venda do lote reservado à construção da nova igreja.
Devido àquela negociação, não sobrou nenhuma alternativa ao Monsenhor, a não ser demolir a antiga Matriz e construir a atual no lugar dela, porém um pouco mais ampla.
O templo tal como o conhecemos atualmente foi inaugurado no dia 15 de julho de 1951.
Fica uma indagação para mexer com o nosso imaginário. E se a igreja tivesse sido erguida onde é o atual Colégio Professor Eduardo, junto à Avenida Getúlio Vargas? Teríamos hoje um cartão postal mais atraente? Nossa cidade possuiria um cenário diferente do que temos?
