Campos Gerais: primeiras décadas pós-emancipação (Parte 02)

Por Delson Luis Ribeiro e Luiz Miguel da Silva

Boiadeiros

No princípio quase não havia estradas no município. Eram caminhos onde se podia andar a cavalo. Eram poucas, apenas para o tráfego de carros de boi. A vida era difícil. As viagens para compra e venda de boiadas chegavam a durar até um mês. Estes são alguns dos fatos contados por munícipes que vivenciaram essa época ou que conheceram pessoas que tiveram suas vidas marcadas por um tempo de muita luta para o sustento da família.

Os boiadeiros eram senhores mais ricos que desde a década de 1930 faziam o comércio de gado. Buscavam boiadas longe e as conduziam até à estação Espera, no município de Três Pontas, de onde seguiam para Três Corações, e de lá para o Rio de Janeiro e outros destinos. Toda a condução era feita a cavalo, que auxiliava os sertanejos a tocarem o gado.

De acordo com José Cauby Ferreira, ele próprio chegou a viajar 22 dias tocando uma boiada de 600 bois da cidade de Paracatu (noroeste de Minas) para Campos Gerais. O gado era trazido debaixo de sol e chuva para aqui ser engordado e posteriormente vendido e conduzido para o abate no Rio de Janeiro. Durante as locomoções, as pernoites aconteciam em fazendas ou até mesmo debaixo de árvores, pelo caminho afora.

Gado Zebu

Foi aqui introduzido pelo coronel Joaquim José de Araújo, o “Barreira”. Esse senhor, como outros da região, foi responsável pela criação da raça de gado indiano. Era pouco aceita, mas os criadores tiveram o apoio do presidente Getúlio Vargas. Essa façanha valeu ao coronel o título do seu partido político, “Zebu”, que tinha como adversário o coronel Manoel Alves, dono da Usina de Açúcar no território de Campo do Meio, na época pertencente ao município de Campos Gerais. Mais tarde a usina veio a receber o nome de “Usina Marreco”. Esses partidos foram substituídos mais tarde pelo PSD e a UDN.

Realizações do coronel Joaquim José de Araújo

Dentre as principais realizações do “Coronel Barreira” tem-se a instalação de uma usina hidrelétrica no Rio Araras (sentido distrito do Córrego do Ouro) e o primeiro serviço de iluminação pública da cidade. Após sua morte, em 1939, a usina se desgastou e não foi reaparelhada, tendo suas atividades sendo encerrada poucos anos após.

A segunda esposa do coronel era de Boa Esperança e para lá ele se transferiu, deixando a usina aos cuidados de pessoas próximas, mas não obtiveram o mesmo avanço na sua manutenção. Existiam alguns motores a óleo diesel para os principais pontos de luz.

Uma outra grande realização do coronel foi a construção de uma estrada (rodovia) de Campos Gerais à estação de ferro Josino de Brito. Essa estrada foi feita à base de picareta e enxadão e toda nivelada no padrão de ferrovia. Mais tarde foi encampada pela Prefeitura. Era de grande utilidade para escoamento dos produtos de exportação e para o contato com Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte.

Antes dessa estrada, o transporte de mercadorias era feito em carros de boi. O serviço dos Correios antes dessa estrada e o transporte de passageiros eram feitos pelo “estafeta”. Este, além das malas dos Correios, dispunha de animais de sela para levar e trazer as pessoas que viajavam para o Rio, São Paulo e região.

O contato com Alfenas era feito por Córrego do Ouro e Fama, onde havia um barco para a travessia do Rio Sapucaí, o que levava um dia para ir e outro para voltar da cidade vizinha.

Mais tarde foi construída a estrada atual, com uma ponte menor que foi substituída pela atual, depois de feito o Lago de Furnas.

A primeira metade do século

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