A primeira rodovia para o transporte de passageiros e escoamento da produção do Município (30 de abril de 1922)

Por Delson Luis Ribeiro

Já expusemos vários feitos das administrações que contribuíram para desenvolvimento do Município.

Nota-se que mesmo em tempos mais difíceis e distantes dos avanços tecnológicos de hoje, que já se despendiam esforços para melhorias na qualidade de vida da população.

Um exemplo deste tipo de iniciativa foi a construção de uma estrada ligando Campos Gerais à Estação de Ferro “Josino de Brito” no distrito do Córrego do Ouro.

O responsável pela façanha foi a mesma pessoa que inseriu a raça de gado Zebu em nosso município e região, o Cel. Joaquim José de Araújo – “Barreira”.

Talvez o detalhe mais curioso da abertura do novo “caminho” foi o prefeito ter lançado mão de recursos próprios para a concretização dessa obra.

Segundo pessoas que conheceram a estrada, ela era “bem nivelada”, levando a crer ter havido a intenção de transformá-la em um ramal ferroviário.

Essa estrada tornou-se a nossa mais importante via de transporte de passageiros e de mercadorias, como couro, manteiga, carga viva de boi, carne suína, dentre outros produtos. No início do seu funcionamento era cobrado pedágio dos usuários.
Era através dessa via que o ônibus do senhor Alberto Salgado levava os passageiros de manhã à Estação, para de lá, seguirem viagem para Varginha, Três Corações, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e a outros destinos.

Já no período da tarde, os destinos eram São Paulo e outros lugares. O trem atravessava a ponte sobre o Rio Sapucaí próxima à Fama (inexistia a Represa de Furnas), passando pela Estação Gaspar Lopes, seguindo até a Estação Juréia, próxima às cidades de Guaxupé e Muzambinho MG) – ponto final da Rede Mineira de Viação – RMV.

A sequência da viagem de trem à capital paulista e a outras cidades era de responsabilidade da Cia. Mogiana de Estrada de Ferro.

Quem viajou nessa ferrovia comenta que as acomodações dos trens eram bem confortáveis. Os passageiros podiam optar por serviços de primeira classe, incluindo camas e até refeições durante o trajeto.

Os jornais cariocas chegavam à cidade por essa ferrovia todos os dias às 8 horas da noite. Os leitores aguardavam na agência dos Correios para retirar cada nova edição do mais importante canal de notícias da época.

No próximo registro contaremos a passagem de outra importante personalidade política, Manoel Alves, adversário de Joaquim José de Araújo.

“Manealves” como era conhecido foi proprietário da conhecidíssima Usina Ariadinópolis na cidade vizinha de Campo do Meio.

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